Em meio a uma crise crescente de sofrimento psíquico, que levou a mais de 546 mil afastamentos no Brasil em 2025, um trabalho acadêmico recente jogou luz sobre o papel das políticas públicas e a urgência de ambientes de trabalho mais saudáveis. O estudo realizado pelos estudantes Efraim Miranda, Iran Marcolino e Maria Rita, contou com a participação fundamental do SINDSEGUR-RN, representado por seu diretor de comunicação, Gerson Lima, que trouxe um relato realista e alarmante sobre a saúde mental da categoria.
O objetivo foi debater como as ações nas áreas da saúde e do trabalho contribuem para a prevenção de transtornos como ansiedade, depressão e Burnout, além de evidenciar que o cuidado com o trabalhador deve ser uma responsabilidade compartilhada.
A contribuição do SINDSEGUR-RN para o ambiente acadêmico revelou que o estresse e o esgotamento emocional fazem parte da rotina diária dos vigilantes potiguares, especialmente os que atuam em agências bancárias, hospitais e carros-fortes.
De acordo com o diretor Gerson Lima, a categoria enfrenta uma carga de pressão psicológica severa vinda de empresas, gestores, clientes e usuários dos serviços. No setor bancário e hospitalar, a situação é ainda mais delicada. Nos hospitais, por exemplo, os profissionais lidam com a tensão de familiares em momentos de vulnerabilidade e, por vezes, até com a custódia de pessoas privadas de liberdade.
“O impacto vem sendo grande aos vigilantes de bancos devido aos estresses diários, sofrendo pressão da empresa, de gerentes e usuários do banco”, relatou Lima na entrevista que baseou a atividade.
Ademais, foi uma oportunidade para detalhar como o SINDSEGUR-RN atua na linha de frente para combater os fatores que adoecem a categoria. Segundo Lima, a atuação da entidade é diária e se divide em três frentes principais:
Mediação de Conflitos: Ao receber denúncias de assédio ou pressão desmedida, o sindicato busca o diálogo com as empresas. Caso não haja solução, os casos são levados para mediação institucional ou para a Justiça.
Parcerias e Conscientização: O sindicato promove campanhas em conjunto com órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Superintendência Regional do Trabalho (SRTE-RN).
Suporte Clínico: Para além das questões jurídicas, o sindicato oferece atendimento psicológico gratuito aos trabalhadores.
“O sindicato é a casa do trabalhador. Quando ele vem aqui, conversa, desabafa e já inicia um processo de acolhimento”, destacou o diretor, reforçando que escalas de trabalho exaustivas e a intensidade das atividades continuam sendo as maiores preocupações para o aumento dos afastamentos.
Um Desafio Coletivo
O estudo conclui que a realidade dos vigilantes, somada às análises de especialistas em saúde ocupacional e gestores públicos do trabalho, como a necessidade de gerenciar riscos psicossociais por meio da NR-1 e o debate sobre a redução da jornada de trabalho, aponta para uma única direção: a prevenção precisa vir antes do adoecimento.
A participação do SINDSEGUR-RN no ambiente universitário reforça a importância de aproximar a teoria acadêmica da realidade prática dos trabalhadores, mostrando que garantir a saúde mental não é apenas uma estratégia de gestão, mas um direito fundamental e um compromisso social urgente.
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